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	<title>Revista Espaço Aberto 170 &#187; Histórias da USP</title>
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	<description>A USP e a cidade de São Paulo</description>
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	<itunes:summary>Vida entre o asfalto e o concreto</itunes:summary>
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	<itunes:author>Revista Espaço Aberto 170</itunes:author>
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		<title>Testemunho dos tempos</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 11:12:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Revista Espaço Aberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias da USP]]></category>
		<category><![CDATA[Engenho São Jorge dos Erasmos]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis a história das Ruínas São Jorge dos Erasmos, parte do território brasileiro que já foi um dia de Martim Afonso de Souza e hoje é patrimônio uspiano Por Maria Clara Matos A Revista Espaço Aberto apresenta um novo espaço que batizamos de “Histórias da USP”. Aqui serão desveladas curiosidades, histórias peculiares de lugares e [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6312" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/engenho-do-erasmo-fe019.jpg"><img class="size-medium wp-image-6312" title="Francisco Emolo" src="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/engenho-do-erasmo-fe019-300x198.jpg" alt="Engenho do Erasmo" width="300" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Engenho São Jorge dos Erasmos</p></div>
<p><em>Eis a história das Ruínas São Jorge dos Erasmos, parte do território brasileiro que já foi um dia de Martim Afonso de Souza e hoje é patrimônio uspiano</em></p>
<p><strong>Por Maria Clara Matos</strong></p>
<p>A Revista Espaço Aberto apresenta um novo espaço que batizamos de “Histórias da USP”. Aqui serão desveladas curiosidades, histórias peculiares de lugares e de pessoas que guardam estreita relação com a universidade. Além disso, mais do que apenas contar uma história, desejamos valorizar, dar voz ao passado que funda nosso presente e que tem papel essencial na formação de nossa identidade individual e coletiva.</p>
<p>Para preencher as linhas de nossa primeira história escolhemos as Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos, que fica em Santos – no sopé do morro da Caneleira – e é atualmente o mais antigo patrimônio histórico do Brasil. A visita ao local foi guiada por Rodrigo Christofoletti, historiador e educador, que acompanha os visitantes a uma viagem ao passado, mas precisamente até 1534 quando provavelmente foram construídas as instalações.</p>
<p><span id="more-6311"></span><br />
<a href="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/engenho-do-erasmo-fe073.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-6313" title="Francisco Emolo" src="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/engenho-do-erasmo-fe073-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a>O Engenho São Jorge dos Erasmos é apontado como um dos três primeiros construídos em solo tupiniquim, na então Capitania de São Vicente. A discussão sobre se foi o primeiro, o segundo ou o terceiro é vasta. Na opinião de alguns estudiosos, os engenhos de Madre de Deus e o de São João – ambos em Santos – precederam São Jorge dos Erasmos, embora Pedro Taques, Afonso de E. Taunay, Afrânio Peixoto, entre outros o elejam como o pioneiro.<br />
Interessado em introduzir o cultivo da cana e da tecnologia de fabricação do valioso açúcar no Brasil, o rei de Portugal D. Manoel, envia ao Brasil a expedição de Martim Afonso de Souza que chega a região vicentina em 1532, data considerada ponto de partida para a indústria açucareira no Brasil, abrindo as portas do país a seu primeiro ciclo econômico. Segundo a citação do padre Simão de Vasconcelos, no livro de José Pedro de Leite Cordeiro, de 1945, “foi na vila de São Vicente onde se fabricou o primeiro açúcar do Brasil”.</p>
<p>De início o local foi chamado de engenho do Governador, recebendo posteriormente o nome de engenho dos Erasmos, ao ser adquirido pelo comerciante flamengo Erasmos Schetz, da Antuérpia (atual Bélgica). Rodrigo Cristofolleti, comenta que talvez aí já possamos identificar a implantação da primeira multinacional no Brasil. Nas palavras do historiador: “Schetz comprou o engenho, ganhou dinheiro com ele, mas pouco ou quase nunca chegou a visitá-lo”.</p>
<p><a href="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/engenho-do-erasmo-fe005.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6314" title="engenho-do-erasmo-fe005" src="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/engenho-do-erasmo-fe005-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a>Somando-se às interrogações que ainda persistem em relação ao engenho, não se sabe ao certo de onde vinha a cana que era beneficiada em São Jorge dos Erasmos. Segundo Cristofoletti, ela não era plantada nas proximidades do engenho, mas muito provavelmente onde hoje é o centro da cidade de Santos. Sabendo-se que o transporte de carga, por meio de bois e de cavalos, só se intensificou na região por volta de 1550, o educador aponta que a hipótese mais aceita é de que a cana chegava no lombo nos escravos negros e índios.</p>
<p>No terreno onde estão situadas as ruínas do engenho, pesquisas arqueológicas encontraram 33 corpos em sua maioria índios e negros, supostamente os trabalhadores do engenho. A prospecção arqueológica do sítio também revelou vestígios como fragmentos de cerâmica, porcelana, vidro, metais, entre outros objetos, hoje sob os cuidados do Museu de Arqueologia e Etnografia (MAE – USP).</p>
<div id="attachment_6315" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/rodrigo-christofoletti-fe129.jpg"><img class="size-medium wp-image-6315" title="Francisco Emolo" src="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/rodrigo-christofoletti-fe129-300x198.jpg" alt="Rodrigo Christofoletti" width="300" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Rodrigo Christofoletti</p></div>
<p>Para completar o cenário misterioso que envolve o local, o engenho dos Erasmos chegou a ser atacado no final do século XVI e início do século XVII por piratas holandeses. As características de fortaleza como a altura das paredes, a proximidade das construções e sua localização para se prevenir dos ataques não foi suficiente. Em busca do açúcar – o chamado ouro branco da época – os corsários atearam fogo no engenho, que posteriormente foi reconstruído.<br />
A família Schetz acaba por se desfazer de São Jorge dos Erasmos e com o alto valor arrecadado passa a ser dona da cidade de Ursl, na Holanda – ainda hoje não se sabe muito bem se os Schetz compraram ou construíram a cidade. Depois da sucessão de diversos donos, em 1943, o terreno tornou-se propriedade de Otávio Ribeiro de Araújo, que loteou a propriedade e doou, em 1958, o engenho a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Desde então muitos pesquisadores têm desenvolvido estudos na região que englobam desde pesquisas no campo da arqueologia, história, biologia até física e matemática.</p>
<p><a href="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/engenho-do-erasmo-fe013.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6316" title="Francisco Emolo" src="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/engenho-do-erasmo-fe013-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a>No ano de 2004 intensificaram-se as atividades educacionais relacionadas às ruínas que hoje é campo fértil para as interpretações interdisciplinares, bem como para a conscientização em relação ao patrimônio cultural. Cristofeletti ressalta a importância de poder receber a população no espaço, mostrar à sociedade um pouco do que a universidade estuda e preserva, além de incentivar a troca de conhecimentos.</p>
<p>A inauguração de uma base avançada revela maior acesso ao local e a preocupação com a criação de ambientes que promovam a pesquisa e o interesse pela história do local. O prédio conta com auditório, reserva técnica, biblioteca e sala para exposições.</p>
<p>O projeto arquitetônico de Júlio Roberto Katinsky, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU – USP), também apresenta como proposta a valorização do espaço, na medida em que a base avançada foi construída em um patamar mais baixo do que as próprias ruínas para que não houvesse competição entre o prédio e o monumento. De qualquer ponto de prédio é possível ver o conjunto histórico-arquitetônico em uma integração entre o antigo e o moderno; o passado e o presente.</p>
<div id="attachment_6317" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/bloco-didatico_-eng-erasmos-323-09-fe41.jpeg"><img class="size-medium wp-image-6317" title="Francisco Emolo" src="http://espaber.uspnet.usp.br/espaber/wp-content/uploads/2009/10/bloco-didatico_-eng-erasmos-323-09-fe41-300x198.jpg" alt="Bloco didatico" width="300" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Bloco didático</p></div>
<p>O Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos, hoje órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, recebe principalmente alunos de escolas municipais e estaduais. Pretendendo estimular a consciência preservacionista, a equipe de educadores das ruínas criou o VouVolto – Projeto Educacional para o Ensino Fundamental. As crianças fazem uma visita monitorada com os educadores e são convidados a voltar com os pais, em outra ocasião, para que eles mesmos sejam os monitores e possam ensinar o que aprenderam.</p>
<p>Para dar continuidade ao VouVolto e também contemplar os alunos do ensino fundamental que não podem se dirigir ao engenho há o projeto I-Papo – Imaginários e práticas aproximativas do patrimônio. Por meio dele, os professores das escolas tem acesso a um material pedagógico variado para ser trabalhado em sala e em paralelo, os estudantes podem acessar o site <a title="www.usp.br/prc/engenho/" href="http://www.usp.br/prc/engenho/" target="_blank">http://www.usp.br/prc/engenho/</a> onde estão disponíveis textos e atividades lúdicas.</p>
<p>Mas o local não está aberto apenas para as escolas públicas; colégios particulares e o público em geral podem visitar o local. O ideal é que todas as visitas sejam agendadas para que os educadores possam contar a história do monumento aos visitantes e que a beleza do local seja apenas inspiração para o estudo da área e de sua importância histórica.  Gratuitas, as visitas monitoradas devem ser agendadas pelo telefone 3203-3901 ou pelo e-mail ruinasengenho@usp.br. O endereço é Rua Alan Ciber Pinto, 96, São Jorge – Santos.</p>
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