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Museu de Anatomia Veterinária

No período antigo se destacou o trabalho de um médico chamado Galeno que trabalhou em Pergamon, depois em Roma, e utilizou animais como modelos para a compreensão da anatomia humana. Galeno uniu a filosofia grega a seus estudos com dissecções e criou um sistema que explicava a estrutura e funcionamento do corpo humano. Morreu no ano 203 DC e, após a queda de Roma, seu trabalho foi traduzido, interpretado e comentado pelos povos árabes, e destes chegou ao conhecimento dos europeus, no século XII, que utilizaram as anotações no ensino e prática da medicina até o século XVI. Mas o espírito do trabalho de Galeno, que incentivava observação e pesquisa, se perdeu nas traduções. E a simples leitura de suas anotações, sem novos trabalhos de pesquisa, pouco acrescentou ao conhecimento anatômico daquele período. Até que um jovem anatomista, Andreas Vesalius (1514-1564), trabalhando na Universidade de Pádua, começou a dissecar peças humanas para seus estudantes e a desenhar novos esquemas anatômicos que corrigiram várias das anotações de Galeno.

Com estas correções, e dissecando também outros animais, Vesalius percebeu que Galeno não havia trabalhado realmente com peças humanas. Galeno examinava seus pacientes em cirurgias, mas havia dissecado somente bois e macacos. Assim, por quatro anos Vesalius trabalhou com dissecções, auxiliado por renomados desenhistas da escola de Ticiano, para realizar seu livro “De humani corporis fabrica libri septem” (“Os sete livros da estrutura do corpo humano”), também conhecido como “Fabrica”, finalmente pronto em 1543. Este livro iniciou a tradição de anatomistas pesquisadores na Europa. Além disso, a descoberta das semelhanças e diferenças entre as espécies iniciou o reconhecimento da espécie humana como uma entre outras e o ramo da anatomia comparada.

Na prática veterinária continuava grande a atenção dada aos cavalos, iniciada pelos gregos e romanos. Considera-se a medicina do cavalo como o ponto de partida da medicina veterinária, destacando-se obras como: “Veterinariae medicinae”, tradução em latim de fragmentos de “Hippiatrica” de autores gregos e romanos feita pelo médico da corte francesa Jean Ruel e publicada em 1530; “Anatomia del cavallo infermita et suoi rimedii”, de Carlo Ruini, publicada em 1598. No século XVIII as epidemias no gado da França impulsionaram a criação da primeira escola ocidental de veterinária (atual Ecole Nationale Vétérinaire de Lyon), fundada em Lyon no ano de 1761. No fim daquele século já haviam sido estabelecidas 20 escolas em 12 países europeus e posteriormente a tradição destes centros chegou também às colônias nas Américas e África.

Na Inglaterra a fundação da primeira escola de veterinária (atual The Royal Veterinary College), em 1791, foi impulsionada pelo cavalo Eclipse. Eclipse, assim chamado por ter nascido no eclipse solar de 1º de abril de 1764, foi campeão nas corridas em 1769 e 1770 e foi retirado das pistas por ser imbatível. Morreu em 1789 com 25 anos de idade deixando indagações sobre seu sucesso que levaram os ingleses a constituir a escola de veterinária. No Brasil, apesar dos incentivos de Dom Pedro II por volta de 1875, as primeiras escolas de veterinária foram instituídas por decretos somente em 1910: a Escola de Veterinária do Exército e a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, ambas na cidade do Rio de Janeiro.

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